26 maio 2004

Os portugueses e a televisão!

O que vou escrever a seguir não se aplica a todos os portugueses, mas a grande parte deles.Os portugueses, que não aparecem frequentemente na televisão, precisam de tempo de antena. É uma necessidade que lhes é intrínseca (eu incluo-me neste grupo, porque raras foram as vezes que apareci na televisão). Se dessem tempo de antena aos dez milhões de portugueses que habitam neste “rectângulo virado ao alto”, bem como nas ilhas adjacentes, ficaríamos cerca de dez anos a ver tempos de antena! É verdade! E depois não é só isso! É também tudo aquilo que eles querem dizer, tudo o que lhes vai na alma! E, infelizmente, aquilo que vai na alma de um português é, na sua grande maioria (senão mesmo na sua totalidade), negativo. É a tristeza da alma lusitana, é a angústia de ser português, é a crise do nosso país, é o fado, é a rotina, é o feriado ao fim-de-semana, é o “cherne” a aumentar os impostos, enfim, uma série de factores que fazem transbordar esta ânsia de poder dizer aquilo na televisão que os outros (que aparecem na televisão) não dizem.Assim que se mete um microfone e uma câmara de filmar à frente de um qualquer português, é vê-los a dizerem tudo aquilo que lhes vai na alma (mas só as partes negativas, convém não esquecer). Ele há casos em que se ouve dizer: “Ai, isto está muito mal! Isto está mal e ainda se põe pior! A minha vida é só miséria! O meu rico filho foi apanhado a roubar e agora está preso! É esta a justiça do nosso país?”, ou “Eu estou nesta vida desde os meus quinze anos! Não dá para viver assim, com este ordenado de miséria! Agora tive que vir para a rua, para ganhar mais algum! Os políticos é que deviam andar na rua para saber o que custa! Isso é que era!”, ou “Vim de Angola sem roupa, sem nada, apenas trouxe os meus quinze filhos! Coitadinhos! Há um que está a estudar, outro que trabalha na estiva e eu… eu estou em casa a tratar deles e do meu marido! O meu marido está reformado, mas ainda não recebeu nenhuma indemnização de ninguém! Ninguém lhe quer dar uma indemnização! É muito triste!”… Mas, enfim, se querem saber mais basta ver o jornal da TVI.
Tenho dito! Fui!

Branco (a.k.a. Jefferson Fitipaldi)